Dramaturgia: Os Monstros do Meu Quarto (Thiago Barba)
Personagens
Zéfa – Criança – Duda Daniel
Mãe - Gabi
Monstro do armário – Adriel
Monstro da gaveta – Duda Bonatti
Monstro da cama – Maike
Monstro do travesseiro – Isa
Monstro da cortina - Fernando
Monstro da porta – Denis
Monstro do pensamento - Poli
Zéfa – Criança – Duda Daniel
Mãe - Gabi
Monstro do armário – Adriel
Monstro da gaveta – Duda Bonatti
Monstro da cama – Maike
Monstro do travesseiro – Isa
Monstro da cortina - Fernando
Monstro da porta – Denis
Monstro do pensamento - Poli
Cenário
Um quarto que contém:
um armário, um gaveteiro, uma cortina e uma porta.
Um quarto que contém:
um armário, um gaveteiro, uma cortina e uma porta.
Entra mãe em cena.
Mãe: (chamando) Zéfa!
Zéfa: (gritando de fora da cena) Quié mãe?!
Mãe: Pode me explicar o que é isso aqui no seu quarto?
Zéfa: (gritando de fora da cena) Como é que eu vou explicar se eu nem sei do que é que você ta falando?
Mãe: Tá bom, então eu vou jogar fora.
Zéfa entra correndo.
Zéfa: Não pode. Eu ainda to trabalhando nestes desenhos.
Mãe: Como você sabia que eu tava falando dos desenhos?
Zéfa: Eu não sabia. Foi o Ralph que me contou. (Falando do bicho de pelúcia na mão)
Mãe: Muito experto esse Ralph, hein?! Imagina só! Se ele não tivesse te contado eu teria jogado fora tudo isso aqui e você não ia nem saber.
Zéfa: O Ralph é treinado.
Mãe: Então aproveita que ele é treinado e faz ele te ajudar a juntar esses papéis do chão.
Zéfa: Isso ele não aprendeu ainda. Ele é treinado em Karatê.
Mãe: Karatê? E isso ajuda ele a te contar sobre as coisas no seu quarto?
Zéfa: Só as coisas importantes.
Mãe: Tenho reunião amanhã cedo. Arruma essas coisas e vai dormir, ta?!
Zéfa: Vou ficar sozinha de novo?
Mãe: Sozinha não. Você vai ficar com o Ralph.
Zéfa: Eu fico com o Ralph todo dia.
Mãe: Olha, Zéfa! É importante, a mamãe tem que ir.
Zéfa: Pode ir, eu tenho o Ralph.
Mãe: Filha. É importante...
Zéfa: Eu sei mãe. O Ralph falou.
Mãe: Porque você não aproveita pra amanhã o Ralph te ensinar um pouco de treinamento em Karatê?
Zéfa: Já temos planos. Amanhã é dia de estudar os animais.
Mãe: Que bom então. Arruma esses desenhos e vai dormir. Não vai ficar bobeando.
Zéfa: O Ralph disse que já sabia que você ia falar isso.
Mãe: Então fala pro Ralph que ele é quase um mestre em Karatê.
Zéfa: Ele ouviu.
Zéfa: (gritando de fora da cena) Quié mãe?!
Mãe: Pode me explicar o que é isso aqui no seu quarto?
Zéfa: (gritando de fora da cena) Como é que eu vou explicar se eu nem sei do que é que você ta falando?
Mãe: Tá bom, então eu vou jogar fora.
Zéfa entra correndo.
Zéfa: Não pode. Eu ainda to trabalhando nestes desenhos.
Mãe: Como você sabia que eu tava falando dos desenhos?
Zéfa: Eu não sabia. Foi o Ralph que me contou. (Falando do bicho de pelúcia na mão)
Mãe: Muito experto esse Ralph, hein?! Imagina só! Se ele não tivesse te contado eu teria jogado fora tudo isso aqui e você não ia nem saber.
Zéfa: O Ralph é treinado.
Mãe: Então aproveita que ele é treinado e faz ele te ajudar a juntar esses papéis do chão.
Zéfa: Isso ele não aprendeu ainda. Ele é treinado em Karatê.
Mãe: Karatê? E isso ajuda ele a te contar sobre as coisas no seu quarto?
Zéfa: Só as coisas importantes.
Mãe: Tenho reunião amanhã cedo. Arruma essas coisas e vai dormir, ta?!
Zéfa: Vou ficar sozinha de novo?
Mãe: Sozinha não. Você vai ficar com o Ralph.
Zéfa: Eu fico com o Ralph todo dia.
Mãe: Olha, Zéfa! É importante, a mamãe tem que ir.
Zéfa: Pode ir, eu tenho o Ralph.
Mãe: Filha. É importante...
Zéfa: Eu sei mãe. O Ralph falou.
Mãe: Porque você não aproveita pra amanhã o Ralph te ensinar um pouco de treinamento em Karatê?
Zéfa: Já temos planos. Amanhã é dia de estudar os animais.
Mãe: Que bom então. Arruma esses desenhos e vai dormir. Não vai ficar bobeando.
Zéfa: O Ralph disse que já sabia que você ia falar isso.
Mãe: Então fala pro Ralph que ele é quase um mestre em Karatê.
Zéfa: Ele ouviu.
Mãe beija Zéfa e sai de cena. Zéfa se deita.
Cena 2
Zefa Ouve um barulho vindo do armário. Levanta-se e caminha próximo dele. Abre a porta e não vê nada diferente. Fecha a porta e o barulho reinicia. Bate na porta do armário como quem bate na porta de casa. O barulho para.
Zéfa: Tem alguém aí?
M. Armário: Tem alguém aí?
M. Armário: Tem alguém aí?
Zéfa com medo, se afasta do armário.
Zéfa: Quem é você?
M. Armário: Quem é você?
Zéfa: O que você está fazendo aí?
M. Armário: O que você está fazendo aí?
Zéfa: Eu perguntei primeiro.
M. Armário: E eu perguntei segundo.
Zéfa: Eu moro aqui.
M. Armário: E eu moro aqui. Tá explicado. Tchau!
Zéfa: Como assim tá explicado? O que você ta fazendo... (Abre a porta e não tem ninguém) Oi! (enfiando a cabeça dentro do guarda roupa, não acha nada e volta pra cama)
M. Armário: Quem é você?
Zéfa: O que você está fazendo aí?
M. Armário: O que você está fazendo aí?
Zéfa: Eu perguntei primeiro.
M. Armário: E eu perguntei segundo.
Zéfa: Eu moro aqui.
M. Armário: E eu moro aqui. Tá explicado. Tchau!
Zéfa: Como assim tá explicado? O que você ta fazendo... (Abre a porta e não tem ninguém) Oi! (enfiando a cabeça dentro do guarda roupa, não acha nada e volta pra cama)
Cena 3
Barulho novamente na porta do armário. Zéfa se levanta sorrateiramente e vai até o armário e abre a porta. Há uma enorme bola de pelos no chão. Zéfa encosta nela e ela começa a se mover lentamente até parecer uma cabeça que olha para frente. Zéfa começa a gritar. Então o monstro também grita.
Zéfa: Porque você tá gritando?
M. Armário: Porque eu to dando oi pra você, oras!
Zéfa: E essa é sua forma de dizer oi?
M. Armário: Claro que não, mas to sendo bacana e seguindo seus rituais.
Zéfa: Como assim, meus rituais?
M. Armário: Você não começou a gritar quando me viu?
Zéfa: É, mas...
M. Armário: Então! Gritei pra você também, se não você ia me achar antipático.
Zéfa: Mas eu...
M. Armário: Tem outra: se eu te cumprimentasse da mesma forma que eu cumprimento, você poderia achar um pouco agressivo demais.
Zéfa: Como você cumprimenta?
M. Armário: A sua forma de cumprimentar é estranha.
Zéfa: Claro, grito não é...
M. Armário: Você não acha um pouco íntimo demais?
Zéfa: Gritar?
M. Armário: Gostei. Vocês são criaturas amáveis.
Zéfa: Espera. Você não me respondeu como você cumprimenta. E outra, que coisa é você?
M. Armário: Como assim, que coisa sou eu? Eu sou um monstro belo como qualquer outro. Qualquer monstro não. Eu sou o much em alto nível de beautifuleza.
Zéfa: Tá, e eu sou filha da Angelina Julie e Brad Pitt.
M. Armário: Você conhece os seus pais?
Zéfa: Não. Nada a ver, eles nem são meus pais...
M. Armário: Ah! Ufa! Como é que você me dá um susto desses? Alguém conhecer os pais. Que loucura, hein?!
Zéfa: Você não conhece seus pais?
M. Armário: O que? Tá duvidando que eu não conheço meus pais?
Zéfa: Calma, não precisa ficar bravo.
M. Armário: Como assim? Não precisa ficar bravo.
Zéfa: Olha! Desculpa Senhor Monstro...
M. Armário: Com licença, eu tenho mais o que fazer...
Zéfa: Mas Senhor Monstro...
M. Armário: Porque eu to dando oi pra você, oras!
Zéfa: E essa é sua forma de dizer oi?
M. Armário: Claro que não, mas to sendo bacana e seguindo seus rituais.
Zéfa: Como assim, meus rituais?
M. Armário: Você não começou a gritar quando me viu?
Zéfa: É, mas...
M. Armário: Então! Gritei pra você também, se não você ia me achar antipático.
Zéfa: Mas eu...
M. Armário: Tem outra: se eu te cumprimentasse da mesma forma que eu cumprimento, você poderia achar um pouco agressivo demais.
Zéfa: Como você cumprimenta?
M. Armário: A sua forma de cumprimentar é estranha.
Zéfa: Claro, grito não é...
M. Armário: Você não acha um pouco íntimo demais?
Zéfa: Gritar?
M. Armário: Gostei. Vocês são criaturas amáveis.
Zéfa: Espera. Você não me respondeu como você cumprimenta. E outra, que coisa é você?
M. Armário: Como assim, que coisa sou eu? Eu sou um monstro belo como qualquer outro. Qualquer monstro não. Eu sou o much em alto nível de beautifuleza.
Zéfa: Tá, e eu sou filha da Angelina Julie e Brad Pitt.
M. Armário: Você conhece os seus pais?
Zéfa: Não. Nada a ver, eles nem são meus pais...
M. Armário: Ah! Ufa! Como é que você me dá um susto desses? Alguém conhecer os pais. Que loucura, hein?!
Zéfa: Você não conhece seus pais?
M. Armário: O que? Tá duvidando que eu não conheço meus pais?
Zéfa: Calma, não precisa ficar bravo.
M. Armário: Como assim? Não precisa ficar bravo.
Zéfa: Olha! Desculpa Senhor Monstro...
M. Armário: Com licença, eu tenho mais o que fazer...
Zéfa: Mas Senhor Monstro...
Monstro do armário sai de cena. Zéfa olha dentro do armário, mas não o encontra, volta desanimada para a cama. Ouve um barulho, corre para o armário. Ouve o barulho novamente e percebe que ele vem do gaveteiro.
Cena 4
Zéfa: Senhor Monstro, você está aí?
Barulho.
Zéfa: Olha! Desculpa, sabe?!
Barulho de novo.
Zéfa: Eu nem sei o porquê eu devo pedir desculpas, mas o Senhor ficou tão bravo, então...
Barulho de novo. Ela percebe que não vem do armário, mas do gaveteiro.
Zéfa: Como você foi entrar aí? (abre a gaveta) Senhor Monstro?
Barulho.
Zéfa: Olha! Desculpa, sabe?!
Barulho de novo.
Zéfa: Eu nem sei o porquê eu devo pedir desculpas, mas o Senhor ficou tão bravo, então...
Barulho de novo. Ela percebe que não vem do armário, mas do gaveteiro.
Zéfa: Como você foi entrar aí? (abre a gaveta) Senhor Monstro?
Pula um boneco de dentro da gaveta. Zéfa leva um susto e grita. Boneco grita também. Zéfa grita de novo e boneco responde.
M. Gaveta: Adorei a maneira que você cumprimenta.
Zéfa: Não é assim que eu cumprimento.
M. Gaveta: Ai! Que menina emburrada. Quer saber, eu tenho por aqui um livro que fala sobre cumprimentos. (Entra na gaveta)
Zéfa: Ô! Não vai embora...
Zéfa: Não é assim que eu cumprimento.
M. Gaveta: Ai! Que menina emburrada. Quer saber, eu tenho por aqui um livro que fala sobre cumprimentos. (Entra na gaveta)
Zéfa: Ô! Não vai embora...
Começa a voar coisas de dentro da gaveta.
Zéfa: Esse é meu lacinho de cabelo, então estava aí dentro...
M. Gaveta: Não achei... Acho que to precisando fazer uma limpa nesse material...
Zéfa: Como assim. Essas coisas são minhas...
M. Gaveta: Você mora aqui dentro?
Zéfa: Não, mas eu...
M. Gaveta: Você cabe aqui dentro?
Zéfa: Não, mas sou...
M. Gaveta: Discussão terminada. EU preciso fazer uma limpa neste MEU material.
Zéfa: Mas sou EU quem guarda as coisas aí dentro.
M. Gaveta: Aé?
Zéfa: É.
M. Gaveta: Então você pode me dizer o que é isso? (busca de dentro da gaveta um objeto)
Zéfa: Isso não estava aí dentro...
M. Gaveta: Como não? Não acabou de ver eu pegando ali dentro?
Zéfa: Impossível. Eu não coloquei isso ali. Aliás, nem sei de onde isso apareceu. O que é isso?
M. Gaveta: É a prova que EU sou dono desse lugar.
Zéfa: Mas sou eu quem coloca tudo aí dentro...
lM. Gaveta: Tudo?
Zéfa: Tem essa coisa aí que eu não sei de onde é...
M. Gaveta: Pronto comprovado. Passar bem. (entra na gaveta)
Zéfa: Não. Não vá embora ainda. Eu tenho uma coisa pra te perguntar.
M. Gaveta: Aix! Agora essa. Que é que foi agora?
Zéfa: Eu tava falando com o Monstro do Armário...
M. Gaveta: Você é amiga dele?
Zéfa: Eu acho que sim... Na verdade...
M. Gaveta: Bem percebi que você é, além de emburrada, muito nariz empinado.
Zéfa: Mas o que foi que eu fiz?
M. Gaveta: Para de enrolar e vai lá, desembucha. O que é que você queria me perguntar? Porque além de emburrada, nariz empinado, agora eu to vendo que você é enrolada.
Zéfa: Ôo...
M. Gaveta: Emburrada, nariz empinado, enrolada e reclamona.
Zéfa: Tá. (respira fundo) Eu tava falando com o Monstro do Armário...
M. Gaveta: Nariz Empinado.
Zéfa: Vai deixar eu falar ou não?
M. Gaveta: Narcisista.
Zéfa: Quer saber, eu não quero perguntar mais coisa nenhuma.
M. Gaveta: Que bom, porque se a pergunta vem daquele um eu não quero nem saber.
Zéfa: Porque você não gosta dele?
M. Gaveta: Você disse que não queria fazer mais pergunta nenhuma. Emburrada, nariz empinado, enrolada e reclamona, narcisista e MENTIROSA.
Zéfa: Eu não posso falar uma frase que você já vai inventando um xingamento pra mim...
M. Gaveta: Vitimista.
Zéfa: Quer saber, eu vou conversar com o Ralph, ele é meu amigo e não me xinga.
M. Gaveta: Quem é Ralph?
Zéfa: Ele é Ralph
M. Gaveta: Esse bichinho de pelúcia?
Zéfa: É
M. Gaveta: Louca.
Zéfa: Que?
M. Gaveta: Você conversa com um boneco, louca.
Zéfa: Tá e você também é um boneco.
M. Gaveta: O que? Boneco eu? Eu sou um monstro. Monstro, monstro do mais monstruoso monstrívoro.
Zéfa: O Ralph falou que você não assusta nem mosca.
M. Gaveta: Olha aqui o sua bola de pelo, cuidado como fala comigo.
Zéfa: Louco.
M. Gaveta: Que?
Zéfa: Tá falando com o Ralph. Louco segundo você.
M. Gaveta: Olha aqui, eu sou um monstro e falo com quem eu quiser. Ta querendo levar uma coça é? Vem.
Zéfa: Vou nada, eu não vou bater num nanico igual você.
M. Gaveta: Nanico tu vai é ver.
M. Gaveta: Não achei... Acho que to precisando fazer uma limpa nesse material...
Zéfa: Como assim. Essas coisas são minhas...
M. Gaveta: Você mora aqui dentro?
Zéfa: Não, mas eu...
M. Gaveta: Você cabe aqui dentro?
Zéfa: Não, mas sou...
M. Gaveta: Discussão terminada. EU preciso fazer uma limpa neste MEU material.
Zéfa: Mas sou EU quem guarda as coisas aí dentro.
M. Gaveta: Aé?
Zéfa: É.
M. Gaveta: Então você pode me dizer o que é isso? (busca de dentro da gaveta um objeto)
Zéfa: Isso não estava aí dentro...
M. Gaveta: Como não? Não acabou de ver eu pegando ali dentro?
Zéfa: Impossível. Eu não coloquei isso ali. Aliás, nem sei de onde isso apareceu. O que é isso?
M. Gaveta: É a prova que EU sou dono desse lugar.
Zéfa: Mas sou eu quem coloca tudo aí dentro...
lM. Gaveta: Tudo?
Zéfa: Tem essa coisa aí que eu não sei de onde é...
M. Gaveta: Pronto comprovado. Passar bem. (entra na gaveta)
Zéfa: Não. Não vá embora ainda. Eu tenho uma coisa pra te perguntar.
M. Gaveta: Aix! Agora essa. Que é que foi agora?
Zéfa: Eu tava falando com o Monstro do Armário...
M. Gaveta: Você é amiga dele?
Zéfa: Eu acho que sim... Na verdade...
M. Gaveta: Bem percebi que você é, além de emburrada, muito nariz empinado.
Zéfa: Mas o que foi que eu fiz?
M. Gaveta: Para de enrolar e vai lá, desembucha. O que é que você queria me perguntar? Porque além de emburrada, nariz empinado, agora eu to vendo que você é enrolada.
Zéfa: Ôo...
M. Gaveta: Emburrada, nariz empinado, enrolada e reclamona.
Zéfa: Tá. (respira fundo) Eu tava falando com o Monstro do Armário...
M. Gaveta: Nariz Empinado.
Zéfa: Vai deixar eu falar ou não?
M. Gaveta: Narcisista.
Zéfa: Quer saber, eu não quero perguntar mais coisa nenhuma.
M. Gaveta: Que bom, porque se a pergunta vem daquele um eu não quero nem saber.
Zéfa: Porque você não gosta dele?
M. Gaveta: Você disse que não queria fazer mais pergunta nenhuma. Emburrada, nariz empinado, enrolada e reclamona, narcisista e MENTIROSA.
Zéfa: Eu não posso falar uma frase que você já vai inventando um xingamento pra mim...
M. Gaveta: Vitimista.
Zéfa: Quer saber, eu vou conversar com o Ralph, ele é meu amigo e não me xinga.
M. Gaveta: Quem é Ralph?
Zéfa: Ele é Ralph
M. Gaveta: Esse bichinho de pelúcia?
Zéfa: É
M. Gaveta: Louca.
Zéfa: Que?
M. Gaveta: Você conversa com um boneco, louca.
Zéfa: Tá e você também é um boneco.
M. Gaveta: O que? Boneco eu? Eu sou um monstro. Monstro, monstro do mais monstruoso monstrívoro.
Zéfa: O Ralph falou que você não assusta nem mosca.
M. Gaveta: Olha aqui o sua bola de pelo, cuidado como fala comigo.
Zéfa: Louco.
M. Gaveta: Que?
Zéfa: Tá falando com o Ralph. Louco segundo você.
M. Gaveta: Olha aqui, eu sou um monstro e falo com quem eu quiser. Ta querendo levar uma coça é? Vem.
Zéfa: Vou nada, eu não vou bater num nanico igual você.
M. Gaveta: Nanico tu vai é ver.
Ele entra na gaveta e gaveta se fecha. Abre outra gaveta e sai a cabeça de quem manipulava.
M. Gaveta: Vem aqui pra ver o nanico.
Zéfa: Como assim? Quem é você?
M. Gaveta: Emburrada, nariz empinado, enrolada e reclamona, narcisista e mentirosa, vitimista, louca e esquecida. Faz 3 segundos que me viu e já esqueceu de mim?
Zéfa: Não, mas você era pequeninha e agora...
M. Gaveta: Claro! Naquela gaveta eu não ia caber desse tamanho.
Zéfa: Quer dizer que você muda de tamanho?
M. Gaveta: Por quê? Você não muda?l
Zéfa: Como assim? Quem é você?
M. Gaveta: Emburrada, nariz empinado, enrolada e reclamona, narcisista e mentirosa, vitimista, louca e esquecida. Faz 3 segundos que me viu e já esqueceu de mim?
Zéfa: Não, mas você era pequeninha e agora...
M. Gaveta: Claro! Naquela gaveta eu não ia caber desse tamanho.
Zéfa: Quer dizer que você muda de tamanho?
M. Gaveta: Por quê? Você não muda?l
Sai da gaveta e fecha ela. A atriz sai de trás do gaveteiro, seu figurino é idêntico ao boneco, o boneco é uma miniatura dessa pessoa. Aproxima-se de Zéfa e começa a tocar nela analisando a menina.
M. Gaveta: Que maneiro! Você fica sempre desse tamanho?
Zéfa: Na real eu to crescendo, eu sempre cresço, sou uma criança.
M. Gaveta: Criança? O que é isso?
Zéfa: Você não sabe o que é uma criança? Você já deve ter sido criança.
M. Gaveta: Eu já fui? Não eu sempre fui monstro mesmo.
Zéfa: Sim, mas você devia ter sido menor e agora cresceu.
M. Gaveta: Sim. Você viu. Todo mundo faz isso. Super normal.
Zéfa: Não pra mim.
M. Gaveta: As crianças não crescem?
Zéfa: Sim, elas crescem, mas...
M. Gaveta: Peraí, cê ta confundindo tudo, cresce ou não cresce?
Zéfa: É que é complicado explicar...
M. Gaveta: Emburrada, nariz empinado, enrolada e reclamona, narcisi...
Zéfa: (Tapa boca dela) Para como isso. Deixa eu tentar te explicar.
M. Gaveta: Grossa.
Zéfa: Eu não ouvi isso ta?
M. Gaveta: Surda.
Zéfa: Ai! (coloca as mãos no rosto e se acalma) As coisas acontecem assim: Quando você nasce, você é um bebê.
M. Gaveta: Não eu era um monstro.
Zéfa: Tá bom, você sempre foi um monstro. Vou começar de novo. Quando eu nasci eu era um bebê, depois de um tempo eu fui crescendo e virei uma criança.
M. Gaveta: Entendi, você conseguiu uma gaveta maior.
Zéfa: Digamos que sim, mas eu nunca vivi numa gaveta.
M. Gaveta: Sabia. Você mora num armário. Quer saber, não é só porque você é rica que eu preciso ficar te puxando o saco, saiba que eu sou feliz vivendo na minha gavetinha, ta?
Zéfa: Não, não. Calma. Eu nem sou rica, é que pra mim funciona um pouco diferente, eu moro numa casa. Meus pais não são ricos, nem...
M. Gaveta: Você tem pais?
Zéfa: A ta! Você é igual o Monstro do Armário, não tem pais.
M. Gaveta: O que? Você estava achando que eu tinha pais? Só porque vivo numa gaveta?
Zéfa: Não. Olha só, não precisa ficar brava...
M. Gaveta: Arrogante.
Zéfa: Você está certa, eu fui arrogante, mas não vai, escuta aqui... Desculpa...
Zéfa: Na real eu to crescendo, eu sempre cresço, sou uma criança.
M. Gaveta: Criança? O que é isso?
Zéfa: Você não sabe o que é uma criança? Você já deve ter sido criança.
M. Gaveta: Eu já fui? Não eu sempre fui monstro mesmo.
Zéfa: Sim, mas você devia ter sido menor e agora cresceu.
M. Gaveta: Sim. Você viu. Todo mundo faz isso. Super normal.
Zéfa: Não pra mim.
M. Gaveta: As crianças não crescem?
Zéfa: Sim, elas crescem, mas...
M. Gaveta: Peraí, cê ta confundindo tudo, cresce ou não cresce?
Zéfa: É que é complicado explicar...
M. Gaveta: Emburrada, nariz empinado, enrolada e reclamona, narcisi...
Zéfa: (Tapa boca dela) Para como isso. Deixa eu tentar te explicar.
M. Gaveta: Grossa.
Zéfa: Eu não ouvi isso ta?
M. Gaveta: Surda.
Zéfa: Ai! (coloca as mãos no rosto e se acalma) As coisas acontecem assim: Quando você nasce, você é um bebê.
M. Gaveta: Não eu era um monstro.
Zéfa: Tá bom, você sempre foi um monstro. Vou começar de novo. Quando eu nasci eu era um bebê, depois de um tempo eu fui crescendo e virei uma criança.
M. Gaveta: Entendi, você conseguiu uma gaveta maior.
Zéfa: Digamos que sim, mas eu nunca vivi numa gaveta.
M. Gaveta: Sabia. Você mora num armário. Quer saber, não é só porque você é rica que eu preciso ficar te puxando o saco, saiba que eu sou feliz vivendo na minha gavetinha, ta?
Zéfa: Não, não. Calma. Eu nem sou rica, é que pra mim funciona um pouco diferente, eu moro numa casa. Meus pais não são ricos, nem...
M. Gaveta: Você tem pais?
Zéfa: A ta! Você é igual o Monstro do Armário, não tem pais.
M. Gaveta: O que? Você estava achando que eu tinha pais? Só porque vivo numa gaveta?
Zéfa: Não. Olha só, não precisa ficar brava...
M. Gaveta: Arrogante.
Zéfa: Você está certa, eu fui arrogante, mas não vai, escuta aqui... Desculpa...
Monstro da gaveta sai de cena. E Zéfa fica triste, de repente a gaveta se abre e sai boneco de dentro dela.
M. Gaveta: Passar bem.
Sai e fecha gaveta novamente. Zefá se deita na cama, mas com os pés para fora dela. Coloca o travesseiro no rosto.
Cena 5
Um monstro pega os dois pés de Zéfa, separa eles e sai com sua cabeça entre as pernas. Malu se senta na cama e olha para baixo. Vê a cabeça do monstro entre suas pernas. Grita, monstro responde gritando também. Zéfa permanece alguns segundos olhando para o monstro segurando seus pés. Ela tem um misto de medo e repulsa ao monstro, mas não faz nada para se livrar dele.
M. Cama: Só na boa?
Zéfa: O senhor pode soltar meus pés?
M. Cama: Liberdade acima de tudo, mas corta essa aí de senhor.
Zéfa: Corta essa aí de senhor?
M. Cama: É. Saca só! Deixa esse de senhor pros magnatas, cê pode me chamar pelo nome mesmo.
Zéfa: E qual é o seu nome.
M. Cama: Que maneiro. Que bicho é esse?
Zéfa: Esse é o Ralph.
M. Cama: Pô! O Ralph é mó encarnado mesmo.
Zéfa: Encarnado?
M. Cama: Que tipo de monstro é você que eu nunca vi aí pelas bandas?
Zéfa: Eu não sou um monstro...
M. Cama: Saquei. Logo me liguei, cê é uma espécie de extra-quartense.
Zéfa: Extra-quartense?
M. Cama: É. Que vem de fora do quarto.
Zéfa: Na real eu moro aqui nesse quarto.
M. Cama: Maneiro! Que lugar que cê habita aqui no quarto?
Zéfa: Ele todo.
M. Cama: Que massa! Cê é uma andarilha.
Zéfa: Não exatamente... Mas é, deve ser. Eu sou uma andarilha.
M. Cama: (exaltado) Eu sabia! Cara! Eu tava muito tempo querendo falar com um andarilho...
Mãe: Zéfa! (de fora do quarto)
Zéfa: Esconde é minha mãe.
M. Cama: Mãe?
Zéfa: Esquece. Eu sei que você vai ficar bravo, mas se esconde. (empurra ele pra baixo da cama)
Mãe: (abrindo a porta) Zéfa! Ta acordada ainda?
Zéfa: Eu sabia que eu ia tirar 10 na prova.
Mãe: Falando dormindo. (ri e sai)
M. Cama: (saindo de baixo da cama) Essa é sua mãe?
Zéfa: Eu sei. Vai me xinga você também.
M. Cama: Como é ter uma mãe?
Zéfa: Você não está bravo comigo?
M. Cama: Claro que não. Muito maneiro isso. Como é ter uma mãe?
Zéfa: Sei lá. É normal ter uma mãe.
M. Cama: Normal? Se liga aí! Como pode ser normal ter uma mãe? Ninguém tem uma e você tem.
Zéfa: Todo mundo tem uma mãe, vocês é que são uns diferentões que não tem mãe.
M. Cama: Nós?... Cara. Muito louco isso. Tô começando achar que nós dois somos uma raça totalmente diferente de monstro onde a sua se origina de ter mães e a minha não.
Zéfa: Eu não sou um monstro.
M. Cama: Foi mals ae, andarilha. Quer dizer que os andarilhos têm mães. Muito louco isso.
Zéfa: Se vocês não têm mães, como é que vocês nascem?
M. Cama: É simples! Nós nascemos...
Zéfa: O senhor pode soltar meus pés?
M. Cama: Liberdade acima de tudo, mas corta essa aí de senhor.
Zéfa: Corta essa aí de senhor?
M. Cama: É. Saca só! Deixa esse de senhor pros magnatas, cê pode me chamar pelo nome mesmo.
Zéfa: E qual é o seu nome.
M. Cama: Que maneiro. Que bicho é esse?
Zéfa: Esse é o Ralph.
M. Cama: Pô! O Ralph é mó encarnado mesmo.
Zéfa: Encarnado?
M. Cama: Que tipo de monstro é você que eu nunca vi aí pelas bandas?
Zéfa: Eu não sou um monstro...
M. Cama: Saquei. Logo me liguei, cê é uma espécie de extra-quartense.
Zéfa: Extra-quartense?
M. Cama: É. Que vem de fora do quarto.
Zéfa: Na real eu moro aqui nesse quarto.
M. Cama: Maneiro! Que lugar que cê habita aqui no quarto?
Zéfa: Ele todo.
M. Cama: Que massa! Cê é uma andarilha.
Zéfa: Não exatamente... Mas é, deve ser. Eu sou uma andarilha.
M. Cama: (exaltado) Eu sabia! Cara! Eu tava muito tempo querendo falar com um andarilho...
Mãe: Zéfa! (de fora do quarto)
Zéfa: Esconde é minha mãe.
M. Cama: Mãe?
Zéfa: Esquece. Eu sei que você vai ficar bravo, mas se esconde. (empurra ele pra baixo da cama)
Mãe: (abrindo a porta) Zéfa! Ta acordada ainda?
Zéfa: Eu sabia que eu ia tirar 10 na prova.
Mãe: Falando dormindo. (ri e sai)
M. Cama: (saindo de baixo da cama) Essa é sua mãe?
Zéfa: Eu sei. Vai me xinga você também.
M. Cama: Como é ter uma mãe?
Zéfa: Você não está bravo comigo?
M. Cama: Claro que não. Muito maneiro isso. Como é ter uma mãe?
Zéfa: Sei lá. É normal ter uma mãe.
M. Cama: Normal? Se liga aí! Como pode ser normal ter uma mãe? Ninguém tem uma e você tem.
Zéfa: Todo mundo tem uma mãe, vocês é que são uns diferentões que não tem mãe.
M. Cama: Nós?... Cara. Muito louco isso. Tô começando achar que nós dois somos uma raça totalmente diferente de monstro onde a sua se origina de ter mães e a minha não.
Zéfa: Eu não sou um monstro.
M. Cama: Foi mals ae, andarilha. Quer dizer que os andarilhos têm mães. Muito louco isso.
Zéfa: Se vocês não têm mães, como é que vocês nascem?
M. Cama: É simples! Nós nascemos...
Inicia um barulho muito forte. Vindo de várias partes do quarto (feito ao vivo por todos os monstros)
M. Cama: Alguém me chamou. Tenho que vazá.
Zéfa: Como assim alguém te chamou?
M. Cama: Você não ouviu?
Zéfa: Isso foi só um barulho.
M. Cama: Barulho? Não! Falaram: Camilo!
Zéfa: Esse é o seu nome?
M. Cama: Sim e como é o seu?
Zéfa: Josefina, mas pode me chamar de Zéfa.
M. Cama: Pode crê. Foi muito massa te conhecer Zéfa. Quando estiver dando um role por aí, cola aí em baixo da cama e vamos trocá umas figurinha de novo. (sai)
Zéfa: Trocar umas figurinhas!? Que cara mais esquisito... (deita na cama de barriga para baixo e coloca sua cabeça em baixo da cama) Tchau Camilo.
M. Cama: (com a voz abafada) Falô ae!
Zéfa: (para ela mesma) Falô ae!
Zéfa: Como assim alguém te chamou?
M. Cama: Você não ouviu?
Zéfa: Isso foi só um barulho.
M. Cama: Barulho? Não! Falaram: Camilo!
Zéfa: Esse é o seu nome?
M. Cama: Sim e como é o seu?
Zéfa: Josefina, mas pode me chamar de Zéfa.
M. Cama: Pode crê. Foi muito massa te conhecer Zéfa. Quando estiver dando um role por aí, cola aí em baixo da cama e vamos trocá umas figurinha de novo. (sai)
Zéfa: Trocar umas figurinhas!? Que cara mais esquisito... (deita na cama de barriga para baixo e coloca sua cabeça em baixo da cama) Tchau Camilo.
M. Cama: (com a voz abafada) Falô ae!
Zéfa: (para ela mesma) Falô ae!
Zefá se encolhe na cama por um tempo.
Cena 6
Zéfa se deita no travesseiro.
M. Travesseiro: Ai!
Zéfa: (Se levanta rapidamente)
M. Travesseiro: Cuidado com a minha beleza!
Zéfa: Quem está falando?
M. Travesseiro: Travis.
Zéfa: E quem é Travis?
M. Travesseiro: Je suis!
Zéfa: E você é um monstro?
M. Travesseiro: Nom. Vai ver je suis uma andorinha. É claro que eu sou um monstro, sua cabeça de abobrinha.
Zéfa: E porque eu não estou te vendo?
M. Travesseiro: Porque estou aqui em baixo.
Zéfa: Em baixo de onde?
M. Travesseiro: De onde! Da minha casa, o travesseiro.
Zéfa: Então você é o monstro do travesseiro?
M. Travesseiro: Nom, je suis o monstro das lanternas japonesas!
Zéfa: E como você é? (Levanta o travesseiro vê o monstro e grita)
M. Travesseiro: Pronto? Acabou Le spectacle?
Zéfa: Você não gritou de volta?
M. Travesseiro: E eu vou cumprimentar uma coisinha estranha igual você!
Zéfa: Isso não é um cumprimento.
M. Travesseiro: D’accourd! E porque você gritou?
Zéfa: Eu me assustei. Você é só uma cabeça.
M. Travesseiro: D’accourd! Meu corpo inteiro não ia caber aqui em baixo do travesseiro.
Zéfa: Já sei! Daí você queria morar em baixo da cama pra ter mais espaço.
M. Travesseiro: Ah! Votre fue! E acha que moi iria morar num lugar sujo daqueles? Si vous plait.
Zéfa: Si vu quê?
M. Travesseiro: Tratar de pensar melhor, coisinha estranha.
Zéfa: Ei! Não me chama de coisinha estranha.
M. Travesseiro: E esse seu amiguinho? Quieto, não fala nada.
Zéfa: Ele é o Ralph, ele é meio tímido.
M. Travesseiro: Hum! Ralph, que coisinha fofa você, quer vir morar comigo Ralph?
Zéfa: Ele está muito bem aqui comigo.
M. Travesseiro: Coisinha estranha! Não falei com você.
Zéfa: Ele não vai falar com você. Ele não gosta de gente metida.
M. Travesseiro: Prêt! Metida eu? Foi você quem meteu a cabeça na minha casa.
Zéfa: Eu não tenho culpa que você dorme no meu travesseiro.
M. Travesseiro: Como assim seu travesseiro?
M. Gaveta: Travis, não dá bola pra esse bebê!
Zéfa: Eu não sou mais um bebê eu já sou uma criança
M. Gaveta: Aquilo tudo que eu já falei e in-tro-me-ti-da.
M. Travesseiro: Quer dizer que essa coisinha estranha é um bebê?
Zéfa: Eu já cresci, agora sou uma criança.
M. Gaveta: Você me ouviu falar Zéfa por acaso?
M. Travesseiro: E o que é um bebê?
M. Gaveta: Eu falei Travis.
Zéfa: Quando eu nasci eu era um bebê. Agora eu cresci e sou uma criança.
M. Travesseiro: Quando você está na gaveta você é um bebê também Gavin?
M. Gaveta: Que tipo de pergunta é essa?
Zéfa: Bebês são recém nascidos, só isso.
M. Gaveta: Eu sempre fui monstro.
M. Travesseiro: Eu acho que isso ta meio confuso, não to entendendo nada.
Zéfa: A culpa é dela que veio aqui só pra falar mal de mim.
M. Gaveta: Caluniadora.
M. Travesseiro: Vous savez quoi?! Eu vou me recolher que eu ganho mais.
Zéfa: Espera Travis!
Zéfa: (Se levanta rapidamente)
M. Travesseiro: Cuidado com a minha beleza!
Zéfa: Quem está falando?
M. Travesseiro: Travis.
Zéfa: E quem é Travis?
M. Travesseiro: Je suis!
Zéfa: E você é um monstro?
M. Travesseiro: Nom. Vai ver je suis uma andorinha. É claro que eu sou um monstro, sua cabeça de abobrinha.
Zéfa: E porque eu não estou te vendo?
M. Travesseiro: Porque estou aqui em baixo.
Zéfa: Em baixo de onde?
M. Travesseiro: De onde! Da minha casa, o travesseiro.
Zéfa: Então você é o monstro do travesseiro?
M. Travesseiro: Nom, je suis o monstro das lanternas japonesas!
Zéfa: E como você é? (Levanta o travesseiro vê o monstro e grita)
M. Travesseiro: Pronto? Acabou Le spectacle?
Zéfa: Você não gritou de volta?
M. Travesseiro: E eu vou cumprimentar uma coisinha estranha igual você!
Zéfa: Isso não é um cumprimento.
M. Travesseiro: D’accourd! E porque você gritou?
Zéfa: Eu me assustei. Você é só uma cabeça.
M. Travesseiro: D’accourd! Meu corpo inteiro não ia caber aqui em baixo do travesseiro.
Zéfa: Já sei! Daí você queria morar em baixo da cama pra ter mais espaço.
M. Travesseiro: Ah! Votre fue! E acha que moi iria morar num lugar sujo daqueles? Si vous plait.
Zéfa: Si vu quê?
M. Travesseiro: Tratar de pensar melhor, coisinha estranha.
Zéfa: Ei! Não me chama de coisinha estranha.
M. Travesseiro: E esse seu amiguinho? Quieto, não fala nada.
Zéfa: Ele é o Ralph, ele é meio tímido.
M. Travesseiro: Hum! Ralph, que coisinha fofa você, quer vir morar comigo Ralph?
Zéfa: Ele está muito bem aqui comigo.
M. Travesseiro: Coisinha estranha! Não falei com você.
Zéfa: Ele não vai falar com você. Ele não gosta de gente metida.
M. Travesseiro: Prêt! Metida eu? Foi você quem meteu a cabeça na minha casa.
Zéfa: Eu não tenho culpa que você dorme no meu travesseiro.
M. Travesseiro: Como assim seu travesseiro?
M. Gaveta: Travis, não dá bola pra esse bebê!
Zéfa: Eu não sou mais um bebê eu já sou uma criança
M. Gaveta: Aquilo tudo que eu já falei e in-tro-me-ti-da.
M. Travesseiro: Quer dizer que essa coisinha estranha é um bebê?
Zéfa: Eu já cresci, agora sou uma criança.
M. Gaveta: Você me ouviu falar Zéfa por acaso?
M. Travesseiro: E o que é um bebê?
M. Gaveta: Eu falei Travis.
Zéfa: Quando eu nasci eu era um bebê. Agora eu cresci e sou uma criança.
M. Travesseiro: Quando você está na gaveta você é um bebê também Gavin?
M. Gaveta: Que tipo de pergunta é essa?
Zéfa: Bebês são recém nascidos, só isso.
M. Gaveta: Eu sempre fui monstro.
M. Travesseiro: Eu acho que isso ta meio confuso, não to entendendo nada.
Zéfa: A culpa é dela que veio aqui só pra falar mal de mim.
M. Gaveta: Caluniadora.
M. Travesseiro: Vous savez quoi?! Eu vou me recolher que eu ganho mais.
Zéfa: Espera Travis!
Zéfa corre até o gaveteiro, empurra o monstro da gaveta para dentro e fica segurando as gavetas. O gaveteiro fica dando trancos por um tempo e Gavin fica gritando com ela lá de dentro.
M. Gaveta: Me solta sua perniciosa, sua deletéria, nefasta, ríspida... Ah!
M. Travesseiro: Você trancou ela lá?
Zéfa: Ela mereceu.
M. Travesseiro: Pouvre Gavin!
Zéfa: E porque o nome dela é Gavin? Isso não é nome de homem?
M. Travesseiro: Homem?
Zéfa: É! O seu também, é Travis, mas você é uma menina.
M. Travesseiro: Homem, menina. Que negócio é esse?
Zéfa: Pra vocês não tem diferença? Homem, mulher, menino, menina?
M. Travesseiro: Diferença há. Gavin é da gaveta je suis do travesseiro.
Zéfa: E Camilo é de baixo da cama.
M. Travesseiro: Hum! Você conhece aquele embuste.
Zéfa: Ele é esquisitão.
M. Travesseiro: Notre dame! E põe esquisitão nisso. É um nojento também.
Zéfa: Ah! Ele até que é legal.
M. Travesseiro: Legal? Você acha aquilo legal?
Zéfa: É!
M. Travesseiro: D’accord! Agora, será que você pode se afastar um pouco daqui. Vai que você acaba sujando minha casa.
Zéfa: Ah! Para de bobeira. Eu tomei banho
M. Travesseiro: Tomou banho? Amiga daquele um e tomou banho. Je sais!
Zéfa: Eu acho interessante esse negócio. Vocês não têm homem e mulher, não tem pais.
M. Travesseiro: Você falou pais?
Zéfa: Você é mais uma que não gosta dos pais?
M. Travesseiro: Você parece que vive num conto de fadas. Acha que existem os pais.
Zéfa: Eu tenho pais.
M. Travesseiro: Quoi?
Zéfa: Eu sei que você não tem...
M. Travesseiro: Écoute! Você está começando a me decepcionar. Falar sobre pais assim comigo, como se fosse algo normal.
Zéfa: E é normal, deixa eu explicar pra você. O Camilo começou a me fazer entender.
M. Travesseiro: Ah! Pais, aquele monstro imundo... Acho que essa é a minha deixa. Au revoir.
Zéfa: Espera!
M. Travesseiro: Não tenho tempo pra gastar minha beleza agora. Excusez-moi.
Zéfa: Travis...
M. Travesseiro: Você trancou ela lá?
Zéfa: Ela mereceu.
M. Travesseiro: Pouvre Gavin!
Zéfa: E porque o nome dela é Gavin? Isso não é nome de homem?
M. Travesseiro: Homem?
Zéfa: É! O seu também, é Travis, mas você é uma menina.
M. Travesseiro: Homem, menina. Que negócio é esse?
Zéfa: Pra vocês não tem diferença? Homem, mulher, menino, menina?
M. Travesseiro: Diferença há. Gavin é da gaveta je suis do travesseiro.
Zéfa: E Camilo é de baixo da cama.
M. Travesseiro: Hum! Você conhece aquele embuste.
Zéfa: Ele é esquisitão.
M. Travesseiro: Notre dame! E põe esquisitão nisso. É um nojento também.
Zéfa: Ah! Ele até que é legal.
M. Travesseiro: Legal? Você acha aquilo legal?
Zéfa: É!
M. Travesseiro: D’accord! Agora, será que você pode se afastar um pouco daqui. Vai que você acaba sujando minha casa.
Zéfa: Ah! Para de bobeira. Eu tomei banho
M. Travesseiro: Tomou banho? Amiga daquele um e tomou banho. Je sais!
Zéfa: Eu acho interessante esse negócio. Vocês não têm homem e mulher, não tem pais.
M. Travesseiro: Você falou pais?
Zéfa: Você é mais uma que não gosta dos pais?
M. Travesseiro: Você parece que vive num conto de fadas. Acha que existem os pais.
Zéfa: Eu tenho pais.
M. Travesseiro: Quoi?
Zéfa: Eu sei que você não tem...
M. Travesseiro: Écoute! Você está começando a me decepcionar. Falar sobre pais assim comigo, como se fosse algo normal.
Zéfa: E é normal, deixa eu explicar pra você. O Camilo começou a me fazer entender.
M. Travesseiro: Ah! Pais, aquele monstro imundo... Acho que essa é a minha deixa. Au revoir.
Zéfa: Espera!
M. Travesseiro: Não tenho tempo pra gastar minha beleza agora. Excusez-moi.
Zéfa: Travis...
Monstro sai. Zéfa levanta o travesseiro e ela não está mais lá. Zéfa deita com força no travesseiro, duas ou três vezes para verificar se monstro voltasse a reclamar, não há resposta. Zéfa se tampa inteira.
Cena 7
Começa um barulho, de bumbo, batendo forte, marcando compasso. Zéfa começa a olhar para a porta e fica assustada, se esconde em baixo da coberta. Ao som dos tambores a porta se abre, vem um feixe de luz da porta, a sombra de um monstro aparece no chão. Fumaça vem da porta. Monstro da Porta entra depois da fumaça. As batidas marcando o tambor não param e Zéfa grita. Monstro grita também, mas agressivo. Zéfa grita novamente, monstro responde agressivo, gritos e tambores são uma introdução para a música. Monstro começa a cantar.
M. Porta:
Eu sou o monstro da porta
Sou feroz e nada me importa
Eu sou o monstro da porta
Nem adianta me olhar de cara torta
Eu sou o monstro da porta
Sou feroz e nada me importa
Eu sou o monstro da porta
Nem adianta me olhar de cara torta
Porque não vai entrar
Ninguém aqui vai entrar
A porta é só minha
Eu comando
E aqui só eu que entro
Ninguém aqui vai entrar
A porta é só minha
Eu comando
E aqui só eu que entro
Eu sou o monstro da porta
Sou feroz e nada me importa
Eu sou o monstro da porta
Nem adianta me olhar de cara torta
Sou feroz e nada me importa
Eu sou o monstro da porta
Nem adianta me olhar de cara torta
Porque não vai sair
Ninguém aqui vai sair
A porta é só minha
Eu comando
E aqui só eu que saio
Ninguém aqui vai sair
A porta é só minha
Eu comando
E aqui só eu que saio
Eu sou o monstro da porta
Zéfa: (com medo) E se eu precisar fazer xixi?
Monstro da Porta grita se assustando. Zéfa se assusta com o grito, grita também e se esconde em baixo da coberta. Monstro da Porta, com muito medo se aproxima da cama em silêncio. Quando ele está bem próximo Zéfa espia e o encontra ao seu lado, ela grita e se esconde de novo, ele também grita de susto. Ela coloca só um braço, segurando Ralph, para fora da coberta.
Zéfa: Pega ele Ralph, dá um karatê nele.
M. Porta: Não, não. (fica de joelhos ao pé da cama) Por favor, esse troço apavorante não. Por favor.
Zéfa: (Sai de baixo da coberta e olha o Monstro) Você tem medo de karatê?
M. Porta: Sim, por favor. Esse karatê peludo é apavorante.
Zéfa: Você ta achando que o nome dele é karatê? Não, não. Esse é o Ralph, karatê é outra coisa.
M. Porta: Que seja o Ralph é apavorante. Eu não faço idéia de quem seja karatê, mas com certeza também ele é apavorante.
Zéfa: Karatê não é quem. É o quê.
M. Porta: Não me importa. Tudo é muito apavorante, principalmente você. Que coisa terrível é você?
Zéfa: Eu sou uma menina. (fica em pé na cama com as mãos na cintura)
M. Porta: Não. Por favor, menina, não me machuque.
Zéfa: Você está com medo de mim?
M. Porta: É que você é apavorante. Se você quiser eu posso te dar a chave. Olha! É meu bem mais preciso. Pode levar, mas por favor, não me machuque.
Zéfa: Eu não quero sua chave...
M. Porta: Você quer minha vida? Não... Por favor, você tem que entender que eu sou apenas um Monstro da Porta...
Zéfa: Eu não quero...
M. Porta: A porta. Vem! Olha! Ela é toda sua. Pode ficar com a porta.
Zéfa: Essa porta já é minha, ele ta no meu quarto.
M. Porta: Sim, sim. O quarto também pode ser seu, você pode entrar e sair quando quiser.
Zéfa: Depende. Quando minha mãe não me coloca de castigo eu posso...
M. Porta: Mãe? Você tem mãe?
Zéfa: Aix! Esqueci que não posso falar da minha mãe.
M. Porta: E isso não é apavorante?
Zéfa: Ter mãe?
M. Porta: (faz que sim com a cabeça)
Zéfa: Bom! Às vezes. Quer dizer, não Senhor Monstro, ter mãe é muito bom, não é nada apavorante, ao contrário. Às vezes quando estou com medo ela me ajuda a não ter medo.
M. Porta: Verdade?
Zéfa: Claro! Para isso que servem as mães. (à parte) Eu acho.
M. Porta: Conte mais sobre as mães.
Zéfa: Bom! Às vezes elas brigam com você.
M. Porta: Ah! Eu disse que isso era apavorante...
Zéfa: Não é. Acontece assim, depois que elas brigam você fica mais corajoso. Elas brigam com você para o seu bem.
M. Porta: E como isso funciona?
Zéfa: Sei lá. Tem umas coisas sobre as mães que é difícil explicar, mas pode ter certeza de uma coisa. Ter mãe não é apavorante, é bom e ajuda a não ter medo.
M. Porta: Se o que você está falando é verdade, Menina, então eu também quero ter uma mãe.
Zéfa: Que pena que vocês monstros não tem mãe, não é?!
M. Porta: Menina. Você poderia me ajudar a ter a minha própria mãe?
Zéfa: E como a gente faria isso?
M. Porta: Não sei. Você é que é especialista em mães aqui.
Zéfa: Bom! Não sou exatamente uma especialista, mas tudo bem! Acho que posso tentar te ajudar.
M. Porta: Que bom, então eu vou lá pra porta e espero você voltar.
Zéfa: Ah, é! Você tem que vir junto comigo.
M. Porta: Junto?
Zéfa: Claro! A mãe é pra você.
M. Porta: Mas eu nem sei direito o que é que vamos fazer e isso me dá medo. Ali na porta eu só abro e fecho e tá tudo certo.
Zéfa: Se você quer uma mãe você tem que se esforçar.
M. Porta: Se esforçar como, se eu nem sei por onde começar?
Zéfa: Eu também não sei, mas temos que tentar.
M. Porta: Tentar é apavorante!
Zéfa: Olha! Eu tenho uma idéia. Eu conheci dois monstros que podem ser sua mãe. Vem comigo! (ela puxa ele até o gaveteiro) Espera! Acho que uma mãe reclamona ninguém merece, acho que eu conheço só um monstro que pode ser sua mãe.
M. Porta: Só um?
Zéfa: Esquece! Vem comigo... (ela puxa ele até a cama) Você conhece a Travis?
M. Porta: O Travis... O Monstro do Travesseiro?
Zéfa: Ela mesma. Acho que ela pode ser sua mãe.
M. Porta: Será?
Zéfa: Por suposto...
M. Cortina: Porter!
M. Porta: Eu não fiz nada. Por favor, não me machuque.
Zéfa: Quem é agora?
M. Porta: (apontando a cortina) Ele.
M. Cortina: Porque eu te machucaria Porter?
Zéfa: Você é o Monstro da Cortina?
M. Porta: Sei lá. Você é tão apavorante.
M. Cortina: Corina, prazer.
Zéfa: Mas você é um menino. Porque você tem nome de menina?
M. Cortina: Você é da espécie humana, não é?
M. Porta: Eles são apavorantes, não é Corina?
Zéfa: Sou sim.
M. Cortina: Vejo todos os dias vocês passando lá fora. Às vezes ouço vocês falando eles e elas. Não entendo muito bem como, mas parece que vocês separam as pessoas em dois tipos, homens e mulheres, não sei muito bem o que é isso, mas nós monstros não definimos as coisas assim. Somos apenas monstros.
Zéfa: Mas você parece um menino, assim como a Travis e a Gavin parecem uma menina. Então porque vocês não separam?
M. Porta: Ai, ai, ai! Quantas perguntas. Será que não pode deixar ser assim mesmo? É assim porque é assim, como fechado é fechado e aberto é aberto. Essas perguntas me dão calafrios.
M. Cortina: Eu vejo vocês, mas não vejo essa diferença, para mim todos são iguais.
M. Porta: Todos somos iguais. Agora vamos Menina, vamos achar minha mãe.
M. Cortina: Porter.
Zéfa: Zéfa. Meu nome é Zéfa, Senhor Porter. Pode me chamar de Zéfa.
M. Porta: Mas você me disse que era Menina. Ah! Você está me enganando. Eu sabia que você é perigosa.
Zéfa: Eu não sou perigosa, eu sou uma menina assim como você é um monstro.
M. Porta: Você está me deixando confuso. Eu preciso uma mãe...
M. Cortina: Porter...
M. Porta: Vamos encontrar minha mãe.
M. Cortina: Porter, nós monstros não temos mãe.
M. Porta: Ain! Isso que eu tinha medo.
Zéfa: Mas não seria possível encontrar uma mãe?
M. Cortina: As coisas são assim. Não temos uma mãe e não temos como ter.
M. Porta: Assim como aberto é aberto e fechado é fechado.
Zéfa: Mas deve ter um jeito. Existem crianças que estão num orfanato porque não tem pai nem mãe. Alguém chega e adota, assim eles passam a ter pais.
M. Porta: Eles não conheciam essas pessoas que levam elas?
Zéfa: Não. Eles vão se conhecendo depois.
M. Porta: Isso parece perigoso.
Zéfa: Não é perigoso...
M. Cortina: Porter. Porque você não se acalma? Senta aqui um pouco e relaxa.
M. Porta: Mas essa é a cama. Eu sou o Monstro da Porta, eu não posso ficar na cama.
M. Cortina: Tudo bem. Fica um aqui na porta que eu vou falar com a Zéfa.
M. Porta: Na porta. A porta é minha. Ninguém entra e ninguém sai. iiahahahá! (sai)
Zéfa: Ele é meio problemático, não?
M. Cortina: Problemas é você que está fazendo na cabeça dele. Falar dessas coisas com ele. Será que você não sabe que nós monstros não temos pais?
Zéfa: Eu sei, já ouvi muito isso hoje.
M. Cortina: Então não queira estragar as coisas. Nós monstros somos assim e pronto! (barulho de trovoada, luzes mudam, a roupa do Monstro da Cortina começa a esvoaçar) Será que você não entende que algumas coisas não têm como mudar? Será que você não pode nos deixar em paz? Por quanto tempo mais será que teremos que nos esconder? (tudo volta ao normal) Sem pais, tudo bem? Bons sonhos. (sai)
Zéfa: Pega ele Ralph, dá um karatê nele.
M. Porta: Não, não. (fica de joelhos ao pé da cama) Por favor, esse troço apavorante não. Por favor.
Zéfa: (Sai de baixo da coberta e olha o Monstro) Você tem medo de karatê?
M. Porta: Sim, por favor. Esse karatê peludo é apavorante.
Zéfa: Você ta achando que o nome dele é karatê? Não, não. Esse é o Ralph, karatê é outra coisa.
M. Porta: Que seja o Ralph é apavorante. Eu não faço idéia de quem seja karatê, mas com certeza também ele é apavorante.
Zéfa: Karatê não é quem. É o quê.
M. Porta: Não me importa. Tudo é muito apavorante, principalmente você. Que coisa terrível é você?
Zéfa: Eu sou uma menina. (fica em pé na cama com as mãos na cintura)
M. Porta: Não. Por favor, menina, não me machuque.
Zéfa: Você está com medo de mim?
M. Porta: É que você é apavorante. Se você quiser eu posso te dar a chave. Olha! É meu bem mais preciso. Pode levar, mas por favor, não me machuque.
Zéfa: Eu não quero sua chave...
M. Porta: Você quer minha vida? Não... Por favor, você tem que entender que eu sou apenas um Monstro da Porta...
Zéfa: Eu não quero...
M. Porta: A porta. Vem! Olha! Ela é toda sua. Pode ficar com a porta.
Zéfa: Essa porta já é minha, ele ta no meu quarto.
M. Porta: Sim, sim. O quarto também pode ser seu, você pode entrar e sair quando quiser.
Zéfa: Depende. Quando minha mãe não me coloca de castigo eu posso...
M. Porta: Mãe? Você tem mãe?
Zéfa: Aix! Esqueci que não posso falar da minha mãe.
M. Porta: E isso não é apavorante?
Zéfa: Ter mãe?
M. Porta: (faz que sim com a cabeça)
Zéfa: Bom! Às vezes. Quer dizer, não Senhor Monstro, ter mãe é muito bom, não é nada apavorante, ao contrário. Às vezes quando estou com medo ela me ajuda a não ter medo.
M. Porta: Verdade?
Zéfa: Claro! Para isso que servem as mães. (à parte) Eu acho.
M. Porta: Conte mais sobre as mães.
Zéfa: Bom! Às vezes elas brigam com você.
M. Porta: Ah! Eu disse que isso era apavorante...
Zéfa: Não é. Acontece assim, depois que elas brigam você fica mais corajoso. Elas brigam com você para o seu bem.
M. Porta: E como isso funciona?
Zéfa: Sei lá. Tem umas coisas sobre as mães que é difícil explicar, mas pode ter certeza de uma coisa. Ter mãe não é apavorante, é bom e ajuda a não ter medo.
M. Porta: Se o que você está falando é verdade, Menina, então eu também quero ter uma mãe.
Zéfa: Que pena que vocês monstros não tem mãe, não é?!
M. Porta: Menina. Você poderia me ajudar a ter a minha própria mãe?
Zéfa: E como a gente faria isso?
M. Porta: Não sei. Você é que é especialista em mães aqui.
Zéfa: Bom! Não sou exatamente uma especialista, mas tudo bem! Acho que posso tentar te ajudar.
M. Porta: Que bom, então eu vou lá pra porta e espero você voltar.
Zéfa: Ah, é! Você tem que vir junto comigo.
M. Porta: Junto?
Zéfa: Claro! A mãe é pra você.
M. Porta: Mas eu nem sei direito o que é que vamos fazer e isso me dá medo. Ali na porta eu só abro e fecho e tá tudo certo.
Zéfa: Se você quer uma mãe você tem que se esforçar.
M. Porta: Se esforçar como, se eu nem sei por onde começar?
Zéfa: Eu também não sei, mas temos que tentar.
M. Porta: Tentar é apavorante!
Zéfa: Olha! Eu tenho uma idéia. Eu conheci dois monstros que podem ser sua mãe. Vem comigo! (ela puxa ele até o gaveteiro) Espera! Acho que uma mãe reclamona ninguém merece, acho que eu conheço só um monstro que pode ser sua mãe.
M. Porta: Só um?
Zéfa: Esquece! Vem comigo... (ela puxa ele até a cama) Você conhece a Travis?
M. Porta: O Travis... O Monstro do Travesseiro?
Zéfa: Ela mesma. Acho que ela pode ser sua mãe.
M. Porta: Será?
Zéfa: Por suposto...
M. Cortina: Porter!
M. Porta: Eu não fiz nada. Por favor, não me machuque.
Zéfa: Quem é agora?
M. Porta: (apontando a cortina) Ele.
M. Cortina: Porque eu te machucaria Porter?
Zéfa: Você é o Monstro da Cortina?
M. Porta: Sei lá. Você é tão apavorante.
M. Cortina: Corina, prazer.
Zéfa: Mas você é um menino. Porque você tem nome de menina?
M. Cortina: Você é da espécie humana, não é?
M. Porta: Eles são apavorantes, não é Corina?
Zéfa: Sou sim.
M. Cortina: Vejo todos os dias vocês passando lá fora. Às vezes ouço vocês falando eles e elas. Não entendo muito bem como, mas parece que vocês separam as pessoas em dois tipos, homens e mulheres, não sei muito bem o que é isso, mas nós monstros não definimos as coisas assim. Somos apenas monstros.
Zéfa: Mas você parece um menino, assim como a Travis e a Gavin parecem uma menina. Então porque vocês não separam?
M. Porta: Ai, ai, ai! Quantas perguntas. Será que não pode deixar ser assim mesmo? É assim porque é assim, como fechado é fechado e aberto é aberto. Essas perguntas me dão calafrios.
M. Cortina: Eu vejo vocês, mas não vejo essa diferença, para mim todos são iguais.
M. Porta: Todos somos iguais. Agora vamos Menina, vamos achar minha mãe.
M. Cortina: Porter.
Zéfa: Zéfa. Meu nome é Zéfa, Senhor Porter. Pode me chamar de Zéfa.
M. Porta: Mas você me disse que era Menina. Ah! Você está me enganando. Eu sabia que você é perigosa.
Zéfa: Eu não sou perigosa, eu sou uma menina assim como você é um monstro.
M. Porta: Você está me deixando confuso. Eu preciso uma mãe...
M. Cortina: Porter...
M. Porta: Vamos encontrar minha mãe.
M. Cortina: Porter, nós monstros não temos mãe.
M. Porta: Ain! Isso que eu tinha medo.
Zéfa: Mas não seria possível encontrar uma mãe?
M. Cortina: As coisas são assim. Não temos uma mãe e não temos como ter.
M. Porta: Assim como aberto é aberto e fechado é fechado.
Zéfa: Mas deve ter um jeito. Existem crianças que estão num orfanato porque não tem pai nem mãe. Alguém chega e adota, assim eles passam a ter pais.
M. Porta: Eles não conheciam essas pessoas que levam elas?
Zéfa: Não. Eles vão se conhecendo depois.
M. Porta: Isso parece perigoso.
Zéfa: Não é perigoso...
M. Cortina: Porter. Porque você não se acalma? Senta aqui um pouco e relaxa.
M. Porta: Mas essa é a cama. Eu sou o Monstro da Porta, eu não posso ficar na cama.
M. Cortina: Tudo bem. Fica um aqui na porta que eu vou falar com a Zéfa.
M. Porta: Na porta. A porta é minha. Ninguém entra e ninguém sai. iiahahahá! (sai)
Zéfa: Ele é meio problemático, não?
M. Cortina: Problemas é você que está fazendo na cabeça dele. Falar dessas coisas com ele. Será que você não sabe que nós monstros não temos pais?
Zéfa: Eu sei, já ouvi muito isso hoje.
M. Cortina: Então não queira estragar as coisas. Nós monstros somos assim e pronto! (barulho de trovoada, luzes mudam, a roupa do Monstro da Cortina começa a esvoaçar) Será que você não entende que algumas coisas não têm como mudar? Será que você não pode nos deixar em paz? Por quanto tempo mais será que teremos que nos esconder? (tudo volta ao normal) Sem pais, tudo bem? Bons sonhos. (sai)
Zéfa apavorada, segura firme Ralph e se encolhe na cama. Tampa-se.
Cena 8
Entra Monstro do Pensamento.
M. Pensamento: Mário. (tempo) Mário. (tempo) Mário, estou te chamando.
M. Armário: Que foi?
M. Pensamento: Por que demorou tanto pra vir?
M. Armário: Eles não sabiam ainda meu nome, achei que dava pra fugir da bronca.
M. Pensamento: Você quem começou essa bagunça, por quê?
M. Armário: Que bagunça?
M. Pensamento: Você que fez barulho e a Zéfa descobriu que habitamos seu quarto.
M. Armário: A culpa não foi minha...
M. Pensamento: Mas foi você que fez o barulho primeiro.
M. Armário: E o Gavin fez o barullho segundo.
M. Pensamento: Mário!
M. Armário: Tá bom! Desculpa, eu tava meio cansado de ficar lá escondido, sabe?!
M. Pensamento: Mas não podia deixar ela dormir pra poder dar uma volta?
M. Armário: Isso é um desperdício da minha beutifuleza.
M. Pensamento: Entendi! Então o que você precisa é ser visto?
M. Armário: Sim.
M. Pensamento: Por isso você mora nessa casa enorme? Para que todos vejam você, percebam você?
M. Armário: Ela combina com esse meu lado de perfil, né?!
M. Pensamento: Acho que ela aparece mais do que você e não te ajuda tanto assim.
M. Armário: Quer dizer que eu tenho que morar numa casa pequena?
M. Pensamento: Quer dizer que a casa não é o mais importante para a sua aparência.
M. Armário: Não entendi. Eu preciso uma casa grande ou pequena?
M. Pensamento: Pense Mário. Pense.
M. Armário: Grande ou pequena? (sai)
M. Armário: Que foi?
M. Pensamento: Por que demorou tanto pra vir?
M. Armário: Eles não sabiam ainda meu nome, achei que dava pra fugir da bronca.
M. Pensamento: Você quem começou essa bagunça, por quê?
M. Armário: Que bagunça?
M. Pensamento: Você que fez barulho e a Zéfa descobriu que habitamos seu quarto.
M. Armário: A culpa não foi minha...
M. Pensamento: Mas foi você que fez o barulho primeiro.
M. Armário: E o Gavin fez o barullho segundo.
M. Pensamento: Mário!
M. Armário: Tá bom! Desculpa, eu tava meio cansado de ficar lá escondido, sabe?!
M. Pensamento: Mas não podia deixar ela dormir pra poder dar uma volta?
M. Armário: Isso é um desperdício da minha beutifuleza.
M. Pensamento: Entendi! Então o que você precisa é ser visto?
M. Armário: Sim.
M. Pensamento: Por isso você mora nessa casa enorme? Para que todos vejam você, percebam você?
M. Armário: Ela combina com esse meu lado de perfil, né?!
M. Pensamento: Acho que ela aparece mais do que você e não te ajuda tanto assim.
M. Armário: Quer dizer que eu tenho que morar numa casa pequena?
M. Pensamento: Quer dizer que a casa não é o mais importante para a sua aparência.
M. Armário: Não entendi. Eu preciso uma casa grande ou pequena?
M. Pensamento: Pense Mário. Pense.
M. Armário: Grande ou pequena? (sai)
Cena 9
M. Pensamento: Gavin. (abre a gaveta e sai a cabeça) Cabeça não, você inteira. (abre outra gaveta e sai boneco) Gavin! (ela aparece inteira) Porque a demora Gavin?
M. Gaveta: Eu tava ali perdida.
M. Pensamento: Perdida?
M. Gaveta: É! Sabe, ali em casa nada se encontra...
M. Pensamento: Porque você não arruma?
M. Gaveta: (faz intenção de responder, mas não consegue)
M. Pensamento: Gavin, eu estava aqui pensando. Parece que os humanos têm coisas. A menina tem uma casa. Tem quarto com cama, armário, gaveteiro...
M. Gaveta: A gaveta é minha.
M. Pensamento: Gaveteiro... Se você pudesse ter algo, o que você gostaria de ter?
M. Gaveta: Muitas coisas.
M. Pensamento: Mas nas suas gavetas, você já não tem muitas coisas?
M. Gaveta: Outras coisas.
M. Pensamento: Porque você precisa essas outras coisas?
M. Gaveta: Sei lá! Pra ter, né?
M. Pensamento: Qual seria uma dessas outras coisas?
M. Gaveta: Uma casa maior.
M. Armário: Eu troco.
M. Gaveta: Troca?
M. Armário: Tô querendo experimentar coisas novas.
M. Gaveta: Por quê?
M. Armário: Sei lá? Tava... pensando!?
M. Gaveta: Você aprova?
M. Pensamento: Cada um faz o que acha melhor.
M. Gaveta: Fechado. (vai até a gaveta, abre e tira um monte de coisas de dentro, por fim, tira uma chave e dá para Mário) Essa é a chave.
M. Armário: Sua casa tem chave?
M. Gaveta: Não. É só uma chave que tava ali. Nem sei de onde é.
M. Armário: Ah!
M. Gaveta: Satisfeita. Tchau! (ela entra no armário, eles ficam olhando ela)
M. Armário: Acho que vai ser bom pra ela.
M. Gaveta: Uau! Aqui dá até eco.
M. Pensamento: Eu ainda estou pensando...
M. Pensamento: Gavin. (abre a gaveta e sai a cabeça) Cabeça não, você inteira. (abre outra gaveta e sai boneco) Gavin! (ela aparece inteira) Porque a demora Gavin?
M. Gaveta: Eu tava ali perdida.
M. Pensamento: Perdida?
M. Gaveta: É! Sabe, ali em casa nada se encontra...
M. Pensamento: Porque você não arruma?
M. Gaveta: (faz intenção de responder, mas não consegue)
M. Pensamento: Gavin, eu estava aqui pensando. Parece que os humanos têm coisas. A menina tem uma casa. Tem quarto com cama, armário, gaveteiro...
M. Gaveta: A gaveta é minha.
M. Pensamento: Gaveteiro... Se você pudesse ter algo, o que você gostaria de ter?
M. Gaveta: Muitas coisas.
M. Pensamento: Mas nas suas gavetas, você já não tem muitas coisas?
M. Gaveta: Outras coisas.
M. Pensamento: Porque você precisa essas outras coisas?
M. Gaveta: Sei lá! Pra ter, né?
M. Pensamento: Qual seria uma dessas outras coisas?
M. Gaveta: Uma casa maior.
M. Armário: Eu troco.
M. Gaveta: Troca?
M. Armário: Tô querendo experimentar coisas novas.
M. Gaveta: Por quê?
M. Armário: Sei lá? Tava... pensando!?
M. Gaveta: Você aprova?
M. Pensamento: Cada um faz o que acha melhor.
M. Gaveta: Fechado. (vai até a gaveta, abre e tira um monte de coisas de dentro, por fim, tira uma chave e dá para Mário) Essa é a chave.
M. Armário: Sua casa tem chave?
M. Gaveta: Não. É só uma chave que tava ali. Nem sei de onde é.
M. Armário: Ah!
M. Gaveta: Satisfeita. Tchau! (ela entra no armário, eles ficam olhando ela)
M. Armário: Acho que vai ser bom pra ela.
M. Gaveta: Uau! Aqui dá até eco.
M. Pensamento: Eu ainda estou pensando...
Os dois ficam alguns segundos se olhando, sorrindo meio sem jeito por não ter mais assunto para falar.
M. Armário: Tá quente hoje, né?!
M. Pensamento: Na casa dela... Na sua casa. Deve ter um ventilador em algum lugar.
M. Armário: Cabe um ventilador lá?
M. Pensamento: Na casa dela... Na sua casa. Deve ter um ventilador em algum lugar.
M. Armário: Cabe um ventilador lá?
Mais alguns segundos de silêncio, agora mais curto, por conta do Monstro do Pensamento não saber como mandar Mário embora.
M. Pensamento: Posso continuar chamando o pessoal?
M. Armário: Claro!
M. Armário: Claro!
Mais alguns segundos para Mário se ligar que ele tem q sair de cena.
M. Pensamento: (sorri para ele)
M. Armário: Acho que eu vou ali conhecer minha casa.
M. Pensamento: Claro! Boa ideia!
M. Armário: Acho que eu vou ali conhecer minha casa.
M. Pensamento: Claro! Boa ideia!
Mário sai, Monstro da Cama vem para cena imediatamente.
Cena 10:
M. Cama: Só na boa?
M. Pensamento: Oi Camilo. Que você está fazendo aqui?
M. Cama: Vim aí. Cê ía me chamar, daí só fui adiantando as parada.
M. Pensamento: Porque você acha que eu ia te chamar?
M. Cama: Pô, ta na cara! Cê chamou os dois primeiros, eu fui o terceiro que apareceu na peça, é minha vez de ser chamado.
M. Pensamento: Na verdade eu ia chamar outro monstro...
M. Cama: Então é pra eu vazar?
M. Pensamento: Não. Tudo bem! Vou aproveitar que você taqui.
M. Cama: De boa! Se eu tiver coçando sarna aqui, só falá!
M. Pensamento: Coçando sarna?
M. Cama: Tô tentando criar umas gírias da hora.
M. Pensamento: Sei! (tempo) Travis.
M. Cama: Já acabou minha participação na peça?
M. Pensamento: Não. Eu te falei pra ficar aqui.
M. Cama: Mas cê chamou o Travis, ele foi o quarto que apareceu.
M. Pensamento: Sossega o facho. Travis!
M. Cama: Sossega o facho?
M. Pensamento: É das antigas.
M. Pensamento: Oi Camilo. Que você está fazendo aqui?
M. Cama: Vim aí. Cê ía me chamar, daí só fui adiantando as parada.
M. Pensamento: Porque você acha que eu ia te chamar?
M. Cama: Pô, ta na cara! Cê chamou os dois primeiros, eu fui o terceiro que apareceu na peça, é minha vez de ser chamado.
M. Pensamento: Na verdade eu ia chamar outro monstro...
M. Cama: Então é pra eu vazar?
M. Pensamento: Não. Tudo bem! Vou aproveitar que você taqui.
M. Cama: De boa! Se eu tiver coçando sarna aqui, só falá!
M. Pensamento: Coçando sarna?
M. Cama: Tô tentando criar umas gírias da hora.
M. Pensamento: Sei! (tempo) Travis.
M. Cama: Já acabou minha participação na peça?
M. Pensamento: Não. Eu te falei pra ficar aqui.
M. Cama: Mas cê chamou o Travis, ele foi o quarto que apareceu.
M. Pensamento: Sossega o facho. Travis!
M. Cama: Sossega o facho?
M. Pensamento: É das antigas.
Alguns segundos.
M. Pensamento: (tira travesseiro da cama e procura) Travis!
M. Cama: Tá afim que eu vou ver se ele ta lá?
M. Pensamento: Não. Acho que ele deve ter saído. Pode ir pra sua casa, eu falo com ele outra hora.
M. Cama: Casa? De boa.
M. Cama: Tá afim que eu vou ver se ele ta lá?
M. Pensamento: Não. Acho que ele deve ter saído. Pode ir pra sua casa, eu falo com ele outra hora.
M. Cama: Casa? De boa.
Quando Camilo vai em direção de ir para baixo da cama, Monstro do Pensamento segura ele e faz sinal de silêncio.
M. Pensamento: Tchau Camilo.
M. Cama: Tchau...?!
M. Pensamento: (espera segundos) Ele já foi Travis.
M. Travesseiro: Dieu merci! Já era hora... Ah! Oi Camilo. Tudo bom com você?
M. Cama: Tud...
M. Pensamento: Tudo ótimo com ele. E você Travis?
M. Travesseiro: Que...
M. Gaveta: (Entra correndo) Travis, vc tem um lugarzinho aí pra mim?
M. Travesseiro: Como?
M. Gaveta: Sua casa é arrumada?
M. Travesseiro: Bom!...
M. Gaveta: Camilo, como é morar em baixo da cama?
M. Pensamento: Calma Gavin. O que está acontecendo?
M. Gaveta: É assustador morar sozinho naquele lugar. Ele é enorme e... Triste. Ia levar um milhão de noites pra eu encher aquele lugar de bagunça. Não ia dar certo.
M. Pensamento: Mas você ficou apenas alguns minutos.
M. Gaveta: E não volto mais.
M. Pensamento: Tudo bem! Senta aqui que estou resolvendo o problema do Travis.
M. Travesseiro: Mas eu gosto da minha casa.
M. Pensamento: Não estamos falando da sua casa.
M. Travesseiro: Então não vejo com o que se preocupar.
M. Pensamento: Acho que você está esquecendo de algo.
M. Travesseiro: Não vejo o que pode ser.
M. Corina: Você não gosta do Camilo.
M. Travesseiro: Oh! Como você pode dizer isso na frente de moi.
M. Cortina: Eu vejo tudo. Eu sei de tudo.
M. Travesseiro: Você só olha pra fora.
M. Cortina: Às vezes eu espio aqui dentro.
M. Travesseiro: D’accord! Eu confesso, eu não gosto do Camilo. E o que tem de errado nisso? Ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Ou aqui todos gostam de todos?
M. Pensamento: Tchau Camilo.
M. Cama: Tchau...?!
M. Pensamento: (espera segundos) Ele já foi Travis.
M. Travesseiro: Dieu merci! Já era hora... Ah! Oi Camilo. Tudo bom com você?
M. Cama: Tud...
M. Pensamento: Tudo ótimo com ele. E você Travis?
M. Travesseiro: Que...
M. Gaveta: (Entra correndo) Travis, vc tem um lugarzinho aí pra mim?
M. Travesseiro: Como?
M. Gaveta: Sua casa é arrumada?
M. Travesseiro: Bom!...
M. Gaveta: Camilo, como é morar em baixo da cama?
M. Pensamento: Calma Gavin. O que está acontecendo?
M. Gaveta: É assustador morar sozinho naquele lugar. Ele é enorme e... Triste. Ia levar um milhão de noites pra eu encher aquele lugar de bagunça. Não ia dar certo.
M. Pensamento: Mas você ficou apenas alguns minutos.
M. Gaveta: E não volto mais.
M. Pensamento: Tudo bem! Senta aqui que estou resolvendo o problema do Travis.
M. Travesseiro: Mas eu gosto da minha casa.
M. Pensamento: Não estamos falando da sua casa.
M. Travesseiro: Então não vejo com o que se preocupar.
M. Pensamento: Acho que você está esquecendo de algo.
M. Travesseiro: Não vejo o que pode ser.
M. Corina: Você não gosta do Camilo.
M. Travesseiro: Oh! Como você pode dizer isso na frente de moi.
M. Cortina: Eu vejo tudo. Eu sei de tudo.
M. Travesseiro: Você só olha pra fora.
M. Cortina: Às vezes eu espio aqui dentro.
M. Travesseiro: D’accord! Eu confesso, eu não gosto do Camilo. E o que tem de errado nisso? Ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Ou aqui todos gostam de todos?
Todos se olham. Monstro do pensamento sorrindo observando eles com olhar de desconfiança. Camilo olha de maneira mais ingênua, parecendo não entender, pois não é um ataque a ele. Gavin olha envergonhada, pois sabe que foi um ataque direto. Corina tenta se fazer superior que aquilo não lhe atinge, mas sabe que Travis tem razão.
M. Pensamento: Porter!
M. Porta: Eu posso ir depois?
M. Pensamento: Vem agora Porter.
M. Porta: Mas é que ta um super climão. Dá um pouco de medo.
M. Pensamento: Porter!
M. Porta: Tudo bem! To aqui.
M. Pensamento: O que você queria ter Porter?
M. Porta: Posso falar mesmo? Acho que você vai ficar bravo...
M. Pensamento: O que você queria ter Porter?
M. Porta: Uma mãe.
M. Pensamento: Por quê?
M. Porta: Pra eu não ter medo.
M. Pensamento: E você precisa de uma mãe pra isso?
M. Porta: Não sei, nunca tive uma.
M. Pensamento: Você acha que vale a pena tentar?
M. Porta: Desculpa! Eu não sabia que era errado tentar.
M. Pensamento: Não falei que era errado, só perguntei se vale à pena tentar algo.
M. Porta: Eu acho que sim. Na verdade tenho um pouco de medo de tentar, tentar é apavorante, mas acho que vale a pena.
M. Pensamento: Por quê?
M. Porta: Porque se eu não tentar eu nunca vou descobrir.
M. Corina: Isso é besteira. Nós monstros não temos pais.
M. Pensamento: E porque não temos pais Corina?
M. Corina: Eu nunca vi um monstro pai. Então não existe.
M. Pensamento: Então que não vemos não existe?
M. Corina: Eu consigo ver tudo, até bactérias. Ali da janela eu consigo enxergar tudo e se eu nunca vi um monstro pai, eles não existem.
M. Pensamento: Da janela você vê um vulcão?
M. Corina: Não...
M. Pensamento: Mas os vulcões existem.
M. Corina: Parece que sim.
M. Pensamento: Então me parece que temos que tentar pensar além do que vimos, não?
M. Corina: Parece que sim.
M. Pensamento: Camilo...
M. Cama: Eu queria ter uma espaçonave Extra-Quartense.
M. Pensamento: Do que você está falando?
M. Cama: Daquelas paradas que cê entra nela e vai viajando por aí conhecendo tudo.
M. Pensamento: Disso eu sei. Pergunto o porquê você está falando disso agora.
M. Cama: Você pede pra todo mundo o que ele queria ter, eu queria ter uma dessas.
M. Pensamento: A pergunta que eu ia te fazer era diferente.
M. Cama: Sem grilo. Manda ae.
M. Pensamento: Porque você acha que nós não temos pais?
M. Cama: Tipo assim: Porque nós somos monstros.
M. Pensamento: E monstros não podem ter pais?
M. Cama: Nós nascemos de outro jeito. É assim...
M. Travesseiro: Excusez-moi. Não quero ouvir as besteiras desse traste.
M. Gaveta: Deixa ele falar, vai que ele tem algo diferente pra dizer.
M. Pensamento: Duvido que ele saiba algo, ele só fica ali metido em baixo da cama. Nunca vê nada.
M. Porta: Ai! Tô vendo que isso vai ser apavorante.
M. Armário: Eu tava ali na minha nova casa, interessantíssima por sinal, tem muita informação lá dentro, e ouvi algo que me parece ser interessante aqui. Diga meu amigo Camilo. Como nós nascemos.
M. Travesseiro: Outraje! Como vós missier pode chamar este sujeito de amigo?
M. Armário: Porque não poderia?
M. Travesseiro: Farce! Você mora num belíssimo e enorme armário. Alguém de seu patamar jamais se juntaria a este molambento.
M. Armário: Mudei minha cara. Agora moro no gaveteiro.
M. Travesseiro: Oh! Faliu, pobre coitado.
M. Gaveta: Posso voltar pra minha casa?
M. Armário: Já? Eu ainda nem olhei tudo o que tem lá.
M. Gaveta: Jamais conseguiria. Dedico minha vida inteira em praticar aquela bagunça.
M. Armário: Compreendo, por mim tudo bem.
M. Gaveta: Obrigada! (sai)
M. Armário: Quero saber agora onde vou morar? Já conheço cada canto daquele armário, quero coisas novas.
M. Cama: Não sei se é o teu canal, mas embaixo da cama sempre rola espaço.
M. Armário: Você me deixaria morar lá?
M. Cama: De boa. Tem altas visão do quarto inteiro, as coisas tão sempre acontecendo, ta ligado?
M. Armário: Acho que vou descobrir.
M. Travesseiro: Oh! O mundo está perdido. Au revoir. (sai)
M. Cama: Chega aí, vou te mostrar umas paradas. (sai)
M. Armário: Bora lá. (sai)
M. Cortina: Ele não ia contar como nós nascemos?
M. Pensamento: Você não achava que era besteira?
M. Cortina: É, mas...
M. Pensamento: Você acha que agora os pais existem?
M. Cortina: Talvez... Acho que vou lá dar uma analisada melhor nesse caso. (sai)
M. Pensamento: E você, vai voltar para a porta?
M. Porta: Já não sei mais.
M. Pensamento: Por quê?
M. Porta: Eu acho que a porta está ficando apavorante.
M. Pensamento: Como assim? Você sempre viveu na porta.
M. Porta: Mas é tanto abre e fecha que eu nunca sei o que vai acontecer. Acho que isso me deixa um pouco inseguro.
M. Pensamento: Você está precisando segurança?
M. Porta: Talvez. Nesse momento.
M. Pensamento: E o que te deixaria mais seguro?
M. Porta: Bom!... Existe algo assim?
M. Pensamento: Será que não é apenas outra coisa que você precise? Volte para sua casa e reflita Porter.
M. Porta: Tudo bem! (sai)
M. Pensamento: Bons pensamentos.
M. Porta: Eu posso ir depois?
M. Pensamento: Vem agora Porter.
M. Porta: Mas é que ta um super climão. Dá um pouco de medo.
M. Pensamento: Porter!
M. Porta: Tudo bem! To aqui.
M. Pensamento: O que você queria ter Porter?
M. Porta: Posso falar mesmo? Acho que você vai ficar bravo...
M. Pensamento: O que você queria ter Porter?
M. Porta: Uma mãe.
M. Pensamento: Por quê?
M. Porta: Pra eu não ter medo.
M. Pensamento: E você precisa de uma mãe pra isso?
M. Porta: Não sei, nunca tive uma.
M. Pensamento: Você acha que vale a pena tentar?
M. Porta: Desculpa! Eu não sabia que era errado tentar.
M. Pensamento: Não falei que era errado, só perguntei se vale à pena tentar algo.
M. Porta: Eu acho que sim. Na verdade tenho um pouco de medo de tentar, tentar é apavorante, mas acho que vale a pena.
M. Pensamento: Por quê?
M. Porta: Porque se eu não tentar eu nunca vou descobrir.
M. Corina: Isso é besteira. Nós monstros não temos pais.
M. Pensamento: E porque não temos pais Corina?
M. Corina: Eu nunca vi um monstro pai. Então não existe.
M. Pensamento: Então que não vemos não existe?
M. Corina: Eu consigo ver tudo, até bactérias. Ali da janela eu consigo enxergar tudo e se eu nunca vi um monstro pai, eles não existem.
M. Pensamento: Da janela você vê um vulcão?
M. Corina: Não...
M. Pensamento: Mas os vulcões existem.
M. Corina: Parece que sim.
M. Pensamento: Então me parece que temos que tentar pensar além do que vimos, não?
M. Corina: Parece que sim.
M. Pensamento: Camilo...
M. Cama: Eu queria ter uma espaçonave Extra-Quartense.
M. Pensamento: Do que você está falando?
M. Cama: Daquelas paradas que cê entra nela e vai viajando por aí conhecendo tudo.
M. Pensamento: Disso eu sei. Pergunto o porquê você está falando disso agora.
M. Cama: Você pede pra todo mundo o que ele queria ter, eu queria ter uma dessas.
M. Pensamento: A pergunta que eu ia te fazer era diferente.
M. Cama: Sem grilo. Manda ae.
M. Pensamento: Porque você acha que nós não temos pais?
M. Cama: Tipo assim: Porque nós somos monstros.
M. Pensamento: E monstros não podem ter pais?
M. Cama: Nós nascemos de outro jeito. É assim...
M. Travesseiro: Excusez-moi. Não quero ouvir as besteiras desse traste.
M. Gaveta: Deixa ele falar, vai que ele tem algo diferente pra dizer.
M. Pensamento: Duvido que ele saiba algo, ele só fica ali metido em baixo da cama. Nunca vê nada.
M. Porta: Ai! Tô vendo que isso vai ser apavorante.
M. Armário: Eu tava ali na minha nova casa, interessantíssima por sinal, tem muita informação lá dentro, e ouvi algo que me parece ser interessante aqui. Diga meu amigo Camilo. Como nós nascemos.
M. Travesseiro: Outraje! Como vós missier pode chamar este sujeito de amigo?
M. Armário: Porque não poderia?
M. Travesseiro: Farce! Você mora num belíssimo e enorme armário. Alguém de seu patamar jamais se juntaria a este molambento.
M. Armário: Mudei minha cara. Agora moro no gaveteiro.
M. Travesseiro: Oh! Faliu, pobre coitado.
M. Gaveta: Posso voltar pra minha casa?
M. Armário: Já? Eu ainda nem olhei tudo o que tem lá.
M. Gaveta: Jamais conseguiria. Dedico minha vida inteira em praticar aquela bagunça.
M. Armário: Compreendo, por mim tudo bem.
M. Gaveta: Obrigada! (sai)
M. Armário: Quero saber agora onde vou morar? Já conheço cada canto daquele armário, quero coisas novas.
M. Cama: Não sei se é o teu canal, mas embaixo da cama sempre rola espaço.
M. Armário: Você me deixaria morar lá?
M. Cama: De boa. Tem altas visão do quarto inteiro, as coisas tão sempre acontecendo, ta ligado?
M. Armário: Acho que vou descobrir.
M. Travesseiro: Oh! O mundo está perdido. Au revoir. (sai)
M. Cama: Chega aí, vou te mostrar umas paradas. (sai)
M. Armário: Bora lá. (sai)
M. Cortina: Ele não ia contar como nós nascemos?
M. Pensamento: Você não achava que era besteira?
M. Cortina: É, mas...
M. Pensamento: Você acha que agora os pais existem?
M. Cortina: Talvez... Acho que vou lá dar uma analisada melhor nesse caso. (sai)
M. Pensamento: E você, vai voltar para a porta?
M. Porta: Já não sei mais.
M. Pensamento: Por quê?
M. Porta: Eu acho que a porta está ficando apavorante.
M. Pensamento: Como assim? Você sempre viveu na porta.
M. Porta: Mas é tanto abre e fecha que eu nunca sei o que vai acontecer. Acho que isso me deixa um pouco inseguro.
M. Pensamento: Você está precisando segurança?
M. Porta: Talvez. Nesse momento.
M. Pensamento: E o que te deixaria mais seguro?
M. Porta: Bom!... Existe algo assim?
M. Pensamento: Será que não é apenas outra coisa que você precise? Volte para sua casa e reflita Porter.
M. Porta: Tudo bem! (sai)
M. Pensamento: Bons pensamentos.
Monstro do Pensamento vai até o local onde estão espalhados os desenhos de Zéfa. Começa pegar do chão e ajunta todos.
M. Pensamento: Qual a origem de nós monstros? (para a plateia) Alguém de vocês sabe? Talvez encontramos em algum destes desenhos. (coloca em cima da cama) Talvez já encontramos em algum livro, ou uma canção, apenas não conseguimos perceber ainda. Talvez está ali para ser descoberto um dia. Talvez esteja aqui, na cabeça dessa menina. Ou aí na sua. Com os olhos, ouvidos ou com um beijo, estamos sempre procurando. Como foi que nasceram os monstros do seu quarto? (sai)
Cena 11
Mãe: (chamando de fora) Zéfa! Hora do café. (entra) Zéfa.
Ela vai até a cama e pega os desenhos. Zéfa acorda.
Zéfa: Os desenhos. Desculp...
Mãe: O que é esse desenho?
Zéfa: O meu quarto.
Mãe: Mas o que são esses bichinhos?
Zéfa: Ah mãe! Uns amigos do Ralph.
Mãe: O Ralph parece que ta com medo deles.
Zéfa: Eu disse pra ele que não precisava, mas ele insistiu em aprender karatê.
Mãe: Então ele aprendeu karatê pra se defender desses bichinhos?
Zéfa: Não são bichinhos, são monstros.
Mãe: Ah! Entendi, são só coisas da sua cabeça. (vai em direção a sair do quarto)
Zéfa: Não são da cabeça, são os monstro do quarto.
Mãe: Monstros não existem Zéfa! (sai)
Zéfa: Existem sim, no meu quarto. (sai)
Mãe: (fora de cena) Acho que você anda assistindo muito filme.
Mãe: O que é esse desenho?
Zéfa: O meu quarto.
Mãe: Mas o que são esses bichinhos?
Zéfa: Ah mãe! Uns amigos do Ralph.
Mãe: O Ralph parece que ta com medo deles.
Zéfa: Eu disse pra ele que não precisava, mas ele insistiu em aprender karatê.
Mãe: Então ele aprendeu karatê pra se defender desses bichinhos?
Zéfa: Não são bichinhos, são monstros.
Mãe: Ah! Entendi, são só coisas da sua cabeça. (vai em direção a sair do quarto)
Zéfa: Não são da cabeça, são os monstro do quarto.
Mãe: Monstros não existem Zéfa! (sai)
Zéfa: Existem sim, no meu quarto. (sai)
Mãe: (fora de cena) Acho que você anda assistindo muito filme.
Depois de alguns que elas saíram, as portas, gaveta, cortina, travesseiro e coberta começam a se mexer, aparecem a cabeça de todos os monstros e ficam olhando para a platéia. Luz começa baixar intensidade até o blecaute.
Dramaturgia Caixas Mágicas
Caixa Consegui?
Entrada monstrinhos. Monstrinhos dançam.
Monstrinho 1: Humm, ai que fome.
Monstrinho 2: Vamo tomar banho primeiro?
Monstrinho 1: Humm, tá.
Saem.
Entrada monstro bruxa.
Monstro bruxa: banho, cachoeira, argh. Faz palavras de magia, envenena a comida. Ri. Tchau.
Voltam monstrinhos.
Monstrinho 1: Agora pode?
Monstrinho 2: Pode.
Comem freneticamente.
Monstrinho 1: Urgh, eu acho que ...
Monstrinho 2: Urgh, eu também acho que eu..
Morrem.
Monstro bruxa: Ah, consegui. É, consegui. Hum, consegui.
Come e dança freneticamente.
Monstro bruxa: Urgh... Desmaia, logo em seguida volta a dançar. Hahaha. Dança. Argh. Morre.
Caixa Voar pode?
Entrada de menina 1 em uma cadeira de rodas. Olha público, faz abano de cabeça.
Entrada de menina 2. Olha público.
Menina 2: (Caçoando da menina 1) Eu posso! Eu posso andar, eu posso brincar. Eu posso pular. E até correr. Ri. Senta-se num banco.
Menina 1: (Vai até o centro) E voar, você pode? Sai voando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário